Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

Certamente você já ouviu falar e/ou leu artigos sobre histórias de missionários estrangeiros em meio às perdidas florestas da Birmânia, nos vilarejos da imensa floresta amazônica, nas populosas terras da Índia, na calorosa missão dos Camarões, etc. Pois bem, finalmente, depois de 500 anos de Evange-lização do nosso continente, nos sentimos, como Igreja, cada vez mais responsáveis pela missão ad gentes.

Como expressão concreta desta responsabilidade, vemos os nossos missionários brasileiros deixarem a própria terra com o ardente desejo de anunciar a Presença de Cristo como companhia e razão profunda da existência humana, em outras terras.

Notamos que o fluxo missionário, como também as notícias, artigos, reportagens a este respeito mudam de rosto, título e conteúdo. Ouvimos, lemos e assistimos sempre mais novidades de missionários brasileiros em meio a realidades de missão das mais variadas. Tudo isso é positivo, mas precisamos ainda fazer muito pela missão além-fronteiras.

Tomando consciência desta responsabilidade foi que em 1996 parti, deixando pela primeira vez minha pátria. Tendo até então passado por seis anos de estudos no seminário diocesano de Manaus e, após um excelente ano de experiência pastoral com os Padres do PIME em Manaus, decidi seguir com a minha formação no PIME.

Fiquei quatro anos na Itália, tempo no qual pude aprender a língua, vivenciar o período da Espiritualidade e concluir os estudos teológicos. Depois disso, já ordenado, recebi a minha primeira destinação:

O JAPÃO. Em preparação a esta missão, passei dez meses estudando inglês em Detroit – Michigan, nos EUA. Vivi por seis meses em uma paróquia na periferia ao sul de Detroit, em uma cidade chamada Lincoln Park.

Alguns amigos dos “States” relacionavam a destinação com o título de um filme: Crocodilo Dundee em Los Angeles - sobre as aventuras de um caipira em Los Angeles - e diziam: You will be “the jungle priest in Tokyo!” (Você vai ser o padre da floresta em Tókio!). Eu recebia isso como uma forma carinhosa de eles se expressarem a respeito da novidade.

Concluída a fase americana, parti para o Japão. Lá chegando, depois de exaustivas 30 horas de vôo, deparei-me com um mundo novo, completamente diferente do nosso e com uma beleza toda peculiar.

Em visita às paroquias japonesas, onde nossos padres exerciam suas atividades, pude ver o encanto daquela missão no contato com o povo japonês. Todavia, a experiência que mais me marcou, no breve espaço de tempo que ali permaneci, foi o contato com os brasileiros imigrados em busca de trabalho e de melhores condições de vida. Pessoas ávidas por preencher lacunas econômicas deixadas na pátria e, portanto, quase sempre com o único interesse material, reencontrado a fé em Jesus Cristo em um ambiente Budista.

A experiência do Japão, em muitíssimos aspectos, foi algo marcante em minha vida. O retorno à pátria, porém, se fez necessário e hoje aqui me encontro.

O título do filme mudou, diriam meus amigos dos EUA. Alguém daqui de Florianópolis já até chegou a dizer que, em breve, irei trocar a canoa pela prancha de surf, ou a rede pela cama, devido ao frio que faz. No entanto, o que importa mesmo é que as nossas vidas continuarão a serem dirigidas por Deus.

O coração amazonense pulsa forte, entusiasta e por vezes nostálgico. O som do remo de encontro às águas ainda ecoa em meus ouvidos e a vastidão quase infinita das tonalidades do verde de minha floresta ainda estão vivas em minha memória. Contudo, a mesma certeza que São Paulo muito bem expressa em sua carta aos Gálatas é crescente em mim: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim" (Gal. 2, 19). Abrindo espaço para que a Graça de Deus atue em nossas vidas, seremos capazes de ir além do que podemos imaginar, seremos um sinal da Presença de Cristo a outros, seremos rostos resplandecentes e felizes.

O encontro com a Equipe do Jornal Missão Jovem e a animação missionária na Arquidiocese de Florianópolis encheu-me de novo entusiasmo, abriu-me novos horizontes para um anúncio missionário. Espero juntamente com vocês, nossos amigos do “Missão Jovem”, espalhados por todo o Brasil e em outros países, viver a alegria da missão, remando, surfando...

Pe. Cláudio M. Cassiano Cordovil
pe.claudio@missaojovem.com.br

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