Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Evangelização - Geral

Quando nos referimos aos líderes, pensamos logo na capacidade organizativa, na credibilidade que merece quem está à frente de um grupo e nos valores que encarna e atraem os que seguem o líder com estima e admiração. É certo que isto vale para todos que exercem esta missão.

Ao tratarmos de liderança cristã, no entanto, há algo que é indispensável: contemplar Jesus Cristo e aprender com Ele a convocar, formar os membros do grupo e dedicar-se a eles com amor e solicitude.

Ao lermos o Evangelho e as cartas dos apóstolos, percebemos que Jesus Cristo era para seus discípulos o Mestre amado ao qual consagraram suas vidas. Sentiram-se fortemente atraídos pela bondade de Jesus e pelo projeto divino de salvação anunciado pelo Filho de Deus. Entregaram-se de corpo e alma ao seguimento de Jesus Cristo, deixando tudo por amor a Ele.

MODELO QUE ENTUSIASMA

Este vínculo firme de ligação amorosa com Cristo marca a vida, até hoje, dos discípulos e discípulas de Jesus e explica o entusiasmo e a santidade de Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Madre Teresa de Calcutá e tantos outros.

No centro da vida espiritual do líder cristão surge a mesma entrega de Jesus e a alegria de tornar-se seu discípulo e seguidor, contemplando sempre mais o Divino Mestre e procurando imitá-lo do melhor modo possível. Entre as lições que o líder cristão precisa mais aprender e que integram sua espiritualidade, está o modo como Jesus exerceu o seu pastoreio divino.

Em primeiro lugar, Cristo nos ensina a união profunda com o Pai, cuja vontade procurou sempre cumprir com amor e zelo, mantendo-se em contínua fidelidade ao projeto de salvação que o Pai a Ele confiava. Também o líder cristão deve permanecer na presença de Deus, em constante oração para conhecer a vontade do Pai e cumpri-la em sua vida.

A segunda lição da liderança de Jesus é a estima, respeito e amor a todos os seus discípulos. Muitas vezes, Jesus afirmou que os amava e considerava seus amigos, manifestando claramente a verdade destas palavras, pela dedicação constante aos discípulos e pelo dom da vida.

UMA ATITUDE INDISPENSÁVEL

Mas, há um outro aspecto que não pode faltar: Jesus exercia sua liderança fazendo o bem aos discípulos, servindo a eles por amor e ensinando pelo exemplo que devemos “lavar os pés” uns aos outros. Diz com firmeza que seus seguidores precisam imitar o Mestre neste gesto de serviço amoroso e assim experimentar a sua alegria divina.

São Paulo lembra este ensinamento precioso às comunidades, declarando ser palavra do Senhor Jesus:

“Maior a alegria de quem dá, de quem serve, de quem faz o bem a seus irmãos e assim se sente feliz” (cf. 2 Cor 9,7). Eis aí um programa de vida para os líderes cristãos: íntima união com Jesus Cristo, aprendendo dele a paixão pela vontade do Pai, o amor a todos que se expressa na alegria de ajudar e servir os irmãos.

O que caracteriza melhor a liderança cristã não é tanto a capacidade de orientar e organizar, mas o modo todo especial de exercer a missão como somente Cristo soube viver e ensinar a seus discípulos: a alegria de servir. Que Nossa Senhora, a grande Mãe, nos auxilie nesta missão de liderar a exemplo do seu Filho.

Bruce Marhall, um romancista escocês, no livro “O Mundo, a Carne e o Padre Smith”, levanta uma hipótese. O personagem principal do livro, o Padre Smith, sonha que havia sido eleito Papa com o nome de Buster I. Padre Smith, em seu primeiro discurso, transmitido para todo o mundo, declarava, solenemente, que o amor livre, dada as atuais circunstâncias da vida humana, não devia mais ser considerado pecado, mas, ao contrário, era um aspecto importante da caridade.

Na onda da “modernização” cristã, aborto, divórcio, homossexualismo e adultério haviam sido excluídos da lista de pecados. No dia seguinte, as igrejas católicas do mundo inteiro foraminvadidas.

Junto com os velhos e fiéis praticantes, multidões queriam pronunciar a sua profissão de fé e rezar pela saúde do novo Papa. Eram pessoas de todas as religiões, em especial de dissidentes de outras religiões, vindas de todos os recantos do mundo para aderir à Igreja Católica.

Embaixadas do Irã, da Turquia, da China, do Afeganistão, de remotos países africanos, pediam o envio urgente de missionários. As televisões, rádios e jornais de todo o mundo saudavam o novo Papa, proclamando-o “Personalidade do Século”.

A REALIDADE

O “sonho” do Padre Smith é a tentação de muitos, inclusive de líderes comunitários. Gostariam que a Igreja desativasse alguns mandamentos e normas morais e instituísse um cristianismo fácil, sem compromissos e normas. Por que manter certas leis que afastam dos sacramentos e da própria fé, milhões de pessoas? Na época das viagens espaciais, do raio laser, da descoberta do DNA, da informática, por que insistir em normas fora de moda, de séculos passados?

É possível que alguém lançasse a idéia de um plebiscito que decidiria os Mandamentos e as leis que deveriam ser abolidas. Esta tentação não é de hoje. Ela tem a idade da Igreja. Mas a Igreja Católica não é uma balsa arrastada ao sabor das correntes marítimas, mas um porta-aviões, um rebocador, que tem consciência de sua força e de sua missão.

Nas páginas do Evangelho, Jesus contempla “tudo o que foi dito” e esclarece:

“Eu, porém, vos digo...” E as palavras de Jesus não são negociáveis para qualquer circunstância.

O LÍDER E A IGREJA

Diante dessa realidade e como líder desta Igreja, o cristão e a cristã que assumem o ministério da liderança deveriam também ser este sinal profético no mundo de hoje. Não se joga fora uma herança de séculos.

A função da Igreja, bem como dos seus líderes, não é a de adaptar-se às verdades provisórias da sociedade, mas ser sal e luz. Se o líder Jesus Cristo tivesse barateado algumas verdades, certamente não teria morrido na cruz.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar