Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Religiões - Islamismo
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Islamismo: Fontes Doutrinais O Islamismo, em número de fiéis, é a segunda religião do mundo, possui também uma doutrina bem estruturada. Ela baseia-se em três fontes ou princípios fundamentais, além do Alcorão: o suna (tradições), o ijma (consenso) e o ijtihad (pensamento individual). Suna: é o conjunto de ensinamentos e atos de Maomé. Ao procurar garantir a autenticidade desses ensinamentos e atos, os sábios muçulmanos se detiveram menos na pureza do conteúdo do que na cadeia dos transmissores, em sua idoneidade e proximidade com relação ao Profeta. A coleção mais importante foi elaborada no século IX por Mohamed ibn Ismail al-Bukhari e é conhecida como o Livro da autêntica coleção. Essas coleções, além de seu valor religioso para os crentes, constituem uma exaustiva enciclopédia legislativa, teológica, cerimonial, moral, social e comercial, que inclui aplicações práticas e exemplos para a conduta moral do cotidiano. Ijma: no segundo século da hégira, houve necessidade de fixar, por consenso universal (ijma), as prescrições legais e as práticas que derivavam do Alcorão. Em princípio, o ijma funcionava em favor da autoridade tradicional, uma vez que se referia sempre aos acordos passados e privilegiava opiniões conservadoras. Atualmente, no entanto, dá maior relevo aos elementos liberais e democráticos inerentes à sua própria natureza. Ijtihad: o esforço de adaptação do Alcorão a novas situações (ijtihad) foi importante no primeiro século do Islã. Nessa época, o ijtihad tomou a forma de opinião pessoal, o que deu origem a muitos conflitos. Nos séculos seguintes, a reflexão individual foi substituída por uma tomada de posição mais rigorosa entre as novas situações e os textos já adotados. Compilados os ensinamentos e atos de Maomé e estabelecido o consenso universal, o esforço individual de adaptação do Alcorão às novas situações foi limitado. PILARES DO ISLÃ As características básicas da organização social e religiosa, que definem o islamismo para todos os fiéis, ficaram conhecidas como os cinco pilares (arkan) do Islã. 1 - O Credo (Kalima) - Não há Deus além de Allah e Maomé é o enviado de Allah. Essa é a rocha que serve de base da fé islâmica. É uma profissão de fé continuamente repetida. Ela proclama a unicidade de Deus e de todos os grupos islâmicos. Essencial para ingressar na comunidade islâmica, a profissão de fé (chamada literalmente de testemunho) deve ser pronunciada clara e conscientemente, com profundo entendimento e aceitação, ao menos uma vez na vida, embora seja repetida, na verdade, com freqüência e em todas as ocasiões importantes. O reconhecimento de Maomé como profeta, iluminado por Allah, implica a crença num só Deus criador, nos anjos, nos profetas (basicamente Adão, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé), na ressurreição, no juízo e na recompensa em outra vida. 2 - A Oração (Salat)
- a ser feita cinco vezes por dia: ao amanhecer, ao meio-dia, entre as
três e as cinco, antes do pôr-do-sol e à noite. O rosto
deve se orientar na direção da Caaba, em Meca. A oração
mais solene é a do meio-dia. Não existe outra liturgia senão
a da palavra; não existe um clero propriamente dito, mas somente
pregadores e encarregados de fazer a chamada para a oração
(almuadens) e de dirigi-la (imãs). 3 - A esmola (Zakat) - Maomé, que foi criado na orfandade, tinha um forte desejo de ajudar os necessitados. Originariamente, as esmolas eram voluntárias. Agora todos os islamitas são legalmente obrigados a doar uma quadragésima parte de suas rendas para os desamparados. Isso ajuda a proteger os pobres tanto em suas necessidades materiais, como em suas dificuldades de ordem espiritual; reduzir o número dos desempregados e dos mendigos; angariar fundos para a difusão do islã; purificar os ricos de sua avareza e de suas vaidades. O zakat (purificação) constitui uma esmola, que deve ser paga anualmente, em moeda ou mercadorias. 4 - O Jejum (Ramadan) - É obrigação grave, para o crente, aprender a dominar a si próprio e ainda mais a submeter-se a Deus. Jejuar, para eles, é mais do que se abster de comida, bebida, prazeres sexuais. Isso não deve ser um espetáculo, mas uma comunhão secreta entre você e Deus, uma batalha contra os desejos íntimos do homem e um tempo de rever as fraquezas pessoais. O jejum dura um mês lunar (ramadan); começa de manhã
antes do nascer do sol e vai até o cair da noite. Neste período
não se pode comer, beber, fumar e nem aspirar algum perfume: todos
os sentimentos devem ser profundamente modificados. 5 - A peregrinação (Hajj) - De todos os muçulmanos espera-se que, ao menos uma vez na vida, façam uma peregrinação à Meca. Isso pode ser muito cansativo para os idosos a ponto do Alcorão prever a possibilidade de alguém ir no lugar deles. Esta peregrinação serve para exaltar e solidificar a fé islâmica. Algumas seitas, como a dos caridjitas, tentaram, sem sucesso, incluir um sexto pilar, o jihad, ou guerra santa, segundo o qual, quando a situação o exigir, os homens devem ir à guerra a fim de difundir o islamismo e defendê-lo contra os infiéis. Àquele que morrer nessa Guerra, fica-lhe assegurada a vida eterna. Os muçulmanos freqüentemente pensam no dia do julgamento. Crêem que Allah irá julgar as obras de cada pessoa. A esperança deles é que suas boas obras superem as más. Eles acreditam também que as boas obras dos homens são escritas num livro e que serão lidas no dia do julgamento. O único caminho certo para o paraíso é morrer como um mártir durante a guerra santa islâmica. ENSINAMENTOS DO ALCORÃO A pregação de Maomé se baseia num monoteísmo absoluto. Existe um só Deus, criador, onipotente e misericordioso; um juízo final premiará os bons e castigará os pecadores na vida extraterrena. A criação reflete o poder, a sabedoria e a autoridade de Deus, mas Deus é totalmente distinto da criação. O homem é como que o representante de Deus na criação, mas, apesar disso, ignorante e louco. É livre para seguir ou não a revelação e os mandamentos divinos; no entanto, também se salienta que Deus tem absoluto controle dos homens, o que se pode quase interpretar como predestinação. Maomé é o profeta maior do islamismo, mas o Alcorão também fala de Jesus, conhecido como Isa. Os Muçulmanos crêem que Ele nasceu da Virgem Maria, mas que seu pai foi o anjo Gabriel. Não crêem em sua morte na cruz, sua ressurreição e divindade, mesmo que Jesus seja o segundo maior profeta do islamismo. O Alcorão foi e continua sendo um código moral, social e político. FAMÍLIA E ESTADO A instituição familiar é patriarcal e o pai possui pleno poder para dispor sobre o matrimônio das filhas, mesmo as que são maiores de idade. O marido tem direito de ter até quatro esposas. Enquanto a mulher só pode pedir divórcio se apresentar causa justificada, o marido não precisa de motivo para se divorciar. Como no Islã não se estabelece diferença entre as esferas religiosa e temporal, o Estado é essencialmente religioso. Para Refletir 1. Quais os cinco pilares da religião muçulmana? 2. Por que o Estado, em países muçulmanos, é essencialmente religioso? 3. Pelo que você conhece, faça uma avaliação da religião muçulmana. |
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