Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Testemunhos de Vida Missionária

AS IRMÃZINHAS

Três irmãzinhas chegaram ao Brasil no dia 24 de junho de 1952, com o objetivo de morar junto com os Tapirapé, numa casa como a dos indígenas, passando a ter a mesma alimentação e o mesmo estilo de vida.

“Ir aos esquecidos, aos desprezados, pelos quais ninguém se interessa”, são as palavras da Irmãzinha Madalena, fundadora da Fraternidade. As Irmãs Genoveva, Clara e Denise, quando chegaram à aldeia Tapirapé, encontraram um povo com cerca de 50 pessoas, sobreviventes dos ataques de seus vizinhos Kayapó.

Após 50 anos de dedicação e comprometimento com esse pequeno povo indígena, hoje os números são outros:

cerca de 500 Tapirapé, em sua maioria crianças e jovens, vivem nas aldeias Majtyritãwa, próxima a Santa Terezinha,´Tapiitãwa, Wiriaotãwa, Akara´ytãwa e Xapi´ikeatãwa, na área indígena Urubu Branco, próxima da cidade de Confresa.

ESFORÇO DE INCUL INCULTURAÇÃO TURAÇÃO

O respeito às crenças, ao estilo de vida e aos costumes dos Tapirapé foi o que fez das Irmãzinhas as principais aliadas deste povo durante todos estes anos. As lutas foram muitas e a determinação destas mulheres ainda maior. “Queríamos viver no meio deles o amor de Deus que não deseja outra coisa senão que vivam e cresçam como Tapirapé”afirma a Irmãzinha Genoveva, que ainda vive com eles.

Logo na chegada, deram atenção especial à saúde, pois os indígenas estavam muito expostos ao contágio de doenças levadas pelos não-índios. Era a primeira vez que a “fraternidade” se estabelecia numa comunidade indígena em solo brasileiro. Muita coisa aconteceu durante esses 50 anos. Os Tapirapé, que pareciam estar próximos da extinção, conseguiram se recompor.

Mas, para chegar a essa nova situação, quanta dedicação, partilha e aprendizagem foi exigida das irmãs que vinham de uma cultura completamente diferente. Apesar de alguns surtos epidêmicos, com a chegada das Irmãzinhas a mortalidade foi reduzida e quase erradicada, devido aos tratamentos curativos e do controle profilático das doenças. Nesse processo todo, as Irmãzinhas sempre respeitaram a maneira de ser dos Tapirapé.

O POVO TAPIRAPÉ

O quase extermínio dos Tapirapé se dá a partir de 1909, quando a população de proximadamente 2000 índios foi exposta às doenças trazidas pelos não-índios. Epidemias de gripe, varíola e febre amarelaacabaram com duas aldeias. Outro agravante da diminuição e dispersão dos Tapirapé, foram as disputas existentes com os Kayapó, que viviam na mesma região. Em 1935, já estavam reduzidos a 130 pessoas e, em 1947, estavam com apenas 59.

Foi nesse ano que ocorreu o grande ataque Kayapó. Aproveitando a ausência dos homens que haviam saído para a caça, a aldeia Tampiitãwa foi praticamente destruída e várias mulheres e meninas raptadas. Com a chegada das Irmãzinhas, em 1952, a situação começa a ser controlada. Com isso, podemos dividir a história Tapirapé em duas etapas - antes e depois das Irmãzinhas.

TESTEMUNHO DE DOAÇÃO

Desde 1952, quando chegou à aldeia, Genoveva, ou simplesmente Veva, como é conhecida, nunca mais saiu de perto dos Tapirapé. Veva nasceu no dia 19 de agosto de 1923, em Valfraicourt, um lugarejo da França. De aparência frágil, cabelos brancos, há muitos anos acorda todos os dias antes do sol para cuidar da pequena roça que cultiva atrás das casas de taipa da aldeia Urubu Branco, a maior do povo.

O respeito total à cultura e ao processo histórico deste povo fez com que os Tapirapé se salvassem e se multiplicassem, tornando-se um povo alegre e seguro. Hoje, aos 78 anos e mais de seis malárias no currículo, Veva completa 50 deles vivendo com os Tapirapé. Das religiosas, Veva é a única Irmãzinha que permanece na aldeia desde o começo da missão. Atualmente vive numa casa simples, como as outras dos indígenas, em companhia das colegas Odila e Elizabette.

Trata-se de uma vida de doação, sacrifício e, sobretudo, de muito amor aos últimos, aos esquecidos do mundo. Nesta terra onde o egoísmo, a ganância e a violência parecem querer dominar, é bom saber que os profetas do amor continuam levantando sua voz poderosa, feita sobretudo de testemunho autêntico. Enquanto o mundo puder contar com pessoas como Veva, continua a esperança daquele mundo que alimenta os nossos sonhos.

Liliane Luchin
Revista Porantim

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