Revista "MUNDO e MISSÃO"

Evangelização Geral

Missão "ad gentes" nas grandes cidades

Giorgio Paleari

Há muitos âmbitos em que se desenvolve a missão "ad gentes". Um âmbito particularmente emergente é representado pelas grandes cidades e pelas megalópoles.
A expressão "ad gentes" refere-se, primeiramente, ao grupos humanos que ainda não têm uma explícita adesão à pessoa de Jesus Cristo e não o reconhecem como salvador. A história do termo está revestida de uma longa tradição: surgiu no seio das primeiras comunidades cristãs e assumiu, historicamente, conotações, às vezes, negativas. Por muito tempo, a abertura missionária "ad gentes" foi revestida de uma roupagem de conquista espiritual. Hoje, o termo não tem significados valorativos, mas exprime somente a realidade de um grande número de pessoas que não tem Jesus Cristo como referência.
Sugere ainda que, nos dias de hoje, a cidade e o seu mundo estão se tornando cada vez mais uma realidade missionária "ad gentes". Já o papa João Paulo II em sua encíclica missionária, Redemptoris Missio, tinha falado de uma realidade urbana e de "novos areópagos" como campos missionários emergentes. Com mais ênfase, o desafio prioritário da missão é constituído, hoje, pelo mundo das grandes megalópoles. É verdade que, desde os primeiros tempos da Igreja, os cristãos tinham-se espalhados pelas cidades da Grécia, do Império Romano e da Ásia. Sucessivamente, porém, a missão "ad gentes" privilegiou as áreas rurais e as periferias do mundo. Hoje, após o grande êxodo rural, o mundo tornou-se urbanizado e uma grande onda de migrantes, muitas vezes forçosamente, deslocaram-se para os grandes aglomerados urbanos.
A missão defronta-se, portanto, com esta nova realidade. Os missionários, acompanhando o fluxo das pessoas, estão sempre mais se deslocando para as áreas urbanas.
Muitas perguntas surgem a partir desta mudança. Antes de tudo, a missão tradicional deve ser revista e atualizada. Novos desafios e questões colocam em cheque a maneira tradicional de evangelizar. Há uma necessidade de entender como se processa o estilo de vida da cidade e seu dinamismo cultural. A fragmentação e o pluralismo questionam uma única maneira de ser missionário. Em vez de repetir o que se sabe, há o convite a recriar constantemente os caminhos. As fronteiras, abrindo-se, tornam-se mais complexas. Tradicionalmente, trabalhava-se no meio de grupos homogêneos e as visitas esporádicas eram suficientes para sustentar uma cosmovisão cristã. Hoje, não é mais assim. O que vem a ser a "missão urbana"? Quais experiências estão sendo implementadas e quais métodos de fazer missão estão surgindo?
É ao redor destas perguntas que o P.I.M.E., a partir de seu último capítulo geral, chamou os missionários da instituição a debruçarem-se com mais afinco sobre a missão urbana. O primeiro seminário de estudo e de troca de experiências já está marcado para acontecer nas Filipinas. Estudiosos e missionários de vários países do mundo, especialmente da Ásia, combinaram de se encontrar ali para analisar a situação e abrir algumas perspectivas sistemáticas. A Ásia e suas megalópoles representam o ponto de partida para repensar a missão na cidade.
Nos próximos números de "Mundo e Missão", abriremos um debate sobre a "missão ad gentes" na cidade, já que alguns redatores da revista foram convidados a participar dos encontros internacionais.

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