Revista "MUNDO E MISSÃO"
Igreja no Mundo - América
|
Brasileiros em Boston João Francisco Bernardo As primeiras experiências missionárias de um padre brasileiro entre seus compatriotas em Boston Já faz cinco meses que estou na arquidiocese de Boston, dando assistência aos migrantes brasileiros. Quando cheguei, um dos primeiros desafios a enfrentar foi o clima muito frio; outro, a língua. Quem não sabe a língua, aqui fica dependendo de outros para até pequenas coisas do dia-a-dia, como pedir um café. Porém, conhecendo o espanhol, não se passa tanto aperto. Transcorri os primeiros meses procurando me adaptar e estudando inglês. Na arquidiocese de Boston, existem dez comunidades brasileiras. Cada uma tem um padre que dá assistência religiosa. Nós nos reunimos uma vez por mês para avaliar o trabalho feito e planejar o futuro. Existem várias modalidades de assistência aos emigrados. O modelo aqui em Boston é de capelanias: o missionário é capelão de uma comunidade étnica, que goza de organização própria, mas não dispõe de sede. Através do dízimo, a comunidade adquire autonomia econômica e financia sua programação, alugando espaços nas paróquias onde há maior número de emigrados. Atualmente, já estou morando na minha comunidade numa cidade
próxima de Boston. Moro com dois padres americanos e um português. Temos uma missa por semana, no domingo, que é o ponto alto da comunidade. Estou tentando colocar uma outra missa na semana com adoração do Santíssimo. Várias pessoas estão sentindo a necessidade de mais momentos de oração. Após a missa, temos o café comunitário, onde as pessoas se encontram e conversam muito. Elas têm necessidade de conversar. Nesse meio, a presença do padre é fundamental e nosso maior trabalho é dar atenção às pessoas, escutar, gastando o tempo que for preciso. A comunidade brasileira As pessoas de minha comunidade provêm de vários lugares do Brasil, mas principalmente de Minas Gerais. Ultimamente, têm aparecido muitos de Santa Catarina e de outros Estados. No final da missa, costumo perguntar se há alguém novo e sempre aparecem três ou quatro pessoas. Há uma tendência a ir aumentando. Na comunidade, temos catequese para as crianças e um curso para os adultos. Muitos que vêm para cá ainda não receberam os primeiros sacramentos. Estamos começando um grupo de adolescentes e jovens, que é um grande desafio, porque alguns já nasceram aqui e adquiriram um pouco da mentalidade do jovem americano, mais liberal. Outros que chegam aqui começam também a se deixar influenciar. Por isso, existem muitas vezes conflitos entre pais e filhos no que diz respeito à educação. Além do mais, pesa o fato da saudade. Muitos jovens deixaram as famílias no Brasil e, sendo ilegais, não podem se arriscar a ir para lá; assim, não podem voltar mais. O ritmo de trabalho também propicia o estresse e muitas vezes bate a solidão. Com isso, correm o risco de procurar fugas no álcool, nas drogas, etc. Esta é uma das maiores preocupações que temos aqui. A pastoral do dízimo é fundamental para o andamento da comunidade. Não só, mas, sempre que podemos, ajudamos alguma necessidade no Brasil. A comunidade alugou um espaço como centro comunitário para o trabalho social de atendimento dos brasileiros, que, muitas vezes, se encontram em dificuldades. Nesse centro, as pessoas buscam informações sobre documentação, vagas para trabalho, vagas em habitações, problemas de saúde, etc. A solidariedade entre os brasileiros tem ajudado a muitos. Um fato marcante Certo dia, estava andando no centro de Boston depois do almoço e resolvi tomar um café. Entrei numa cafeteria, que tinha duas jovens recepcionistas. Ao pedir o café, elas logo perceberam que tinha dificuldade com o inglês, notando também meu sotaque estrangeiro. Perguntaram-me de onde era. Quando respondi que era do Brasil e que era padre, foi uma alegria para elas. Eram de Ibiúna, interior de São Paulo, fazia quase um ano que estavam em Boston e há muito tempo não freqüentavam uma Igreja. Uma delas, nos seus nove meses de permanência nos Estados Unidos, nunca tinha posto os pés numa Igreja. O horário de trabalho não lhe permitia participar da missa ou de qualquer outra atividade da Igreja. Trabalhava de segunda a segunda: pela manhã estudava e pela tarde e noite estava na cafeteria. Pediu-me que queria confessar, porque não o fazia há muito tempo. Combinei um dia para a confissão antes dela entrar ao trabalho. No dia marcado, levei-a à Igreja dos italianos, onde eu estava hospedado. Ficamos uma hora conversando. Foi mais que uma confissão: foi um desabafo da sua vida e da situação que vivia longe da família. Ao término da conversa, lhe dei o horário da missa em italiano, para que fizesse um esforço para participar; para ela era mais fácil, porque era aos domingos de manhã e não estava distante do seu trabalho. Agradeceu-me e se comprometeu a participar. Lembrei a passagem de Jesus com a samaritana: ele senta na beira do poço e houve aquela mulher sem se preocupar com o tempo. Aqui o padre precisa fazer muito isso. |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]