Revista "MUNDO e MISSÃO"
Teologia
É sinal da beleza à qual somos investidos desde o Batismo, da imagem verdadeira que somos, além do “feio que aparentamos”. Já que existe uma verdade em nós, ela se expressa pela beleza e nos dá a paz. Não é verdade que somos completamente iguais aos demais cidadãos, aflitos, desesperados, gananciosos, como se não fôssemos já “salvos pelo Mistério que carregamos”. Iguais aos demais homens, mas cidadãos da Pátria Celeste. Um provérbio chinês nos diz que “um pouco de perfume fica sempre na mão de quem oferece rosas”. Quando somos tocados por Deus, através da Mãe Igreja, acontece coisa semelhante: somos impregnados pelo Mistério invocado. Percebemos isso nas palavras da Constituição Sacrosanctum Concilium: “ela é ao mesmo tempo, divina e humana; visível, mas ornada de dons invisíveis... Nela o humano se ordena ao divino, o visível ao invisível”. Assim acontece quando a Igreja assume a veste na sua liturgia e dá-lhe uma amplidão espiritual, torna-a símbolo de uma realidade mais profunda. Torna-se carregada de mistério. A beleza divina é discreta, é proteção e sinal de participação à glória do Senhor que nos dá a vida. A veste cristã, do batizado, do consagrado, do partícipe aos sagrados mistérios deve revelar essa glória. Além do mais, a veste, esteticamente falando, arruma os corpos deformados, dá-nos elegância, prazer em sermos já, aqui e agora, uma faísca do que seremos, um dia, em plenitude. E mais: iguala-nos. Ninguém é diferente de ninguém “aos olhos do Altíssimo”. Além disso, o uso do essencial, sem acúmulos supérfluos, evidencia a pobreza evangélica.
Sua nudez é como espelho que não reflete mais a imagem de Deus, mas, sim, fragilidade, vulnerabilidade, cobiça. Adão e Eva, ao se sentirem nus, fizeram para si uma veste com folhas de figueira. O próprio Deus, antes de expulsá-los do Paraíso, cobre-os com vestes: “O Senhor Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de peles e os vestiu” (Gn 3,21). O profeta Ezequiel, ao falar da aliança de Javé com seu povo, usa a figura da veste: “estendi a orla do meu manto sobre ti e ocultei a tua nudez” (Ez 16,8). Quando Israel torna-se infiel, traduz essa infidelidade com a imagem de nudez. Na história da Salvação, procura-se recuperar a intimidade paradisíaca, usando a imagem da “veste de salvação e manto de justiça, como uma noiva que se enfeita com suas jóias” (Is 61, 10). Assim, para que Israel e toda a humanidade seja “revestida”: – “O Salvador será despido de suas
vestes” (Mt 27,35 e Jo 19,23); Todo homem é chamado a entrar nessa transfiguração, nessa divinização. Segundo o apóstolo Paulo, “o homem deseja ser revestido de incorruptibilidade... gememos porque não queremos ser despidos de nossa veste, mas revestir a outra sobre esta, a fim de que o que é mortal seja absorvido pela vida” (2 Cor 5,4). O Cristo tira a humanidade da nudez à que a levara o pecado de Adão. A humanidade é revestida pelo Cristo no Batismo. Ele despe o homem velho e reveste o homem novo (Cl 3,9-10; Ef 4,20-24; Gl 3,27 e Rm 13,14). A imposição da veste sagrada no religioso, no batizado, na Primeira Eucaristia, está ligada à uma infusão da graça semelhante à do Batismo.
Na tradição da Igreja, receber o hábito, a veste, corresponde para o discípulo à “participação ao Mistério, à comunhão com os demais...”. A veste, como o véu, é forte sinal de presença a “alguém”, ao Sagrado no humano. As várias vestições são etapas de uma vestição que, progressivamente, leva-nos à plenitude do Mistério da Transfiguração. O Apocalipse falará da esposa que está pronta para as núpcias do Cordeiro, “revestida de linho puro, resplandecente” (Ap 19, 7-8). “Na Jerusalém Nova é a esposa que se enfeitou” (Ap 21, 2). “Igualmente, vinda de grande tribulação, lavou suas vestes no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14 e 2, 14). Assim, a esposa do Cordeiro recupera a veste perdida em Adão / Eva e se torna novamente como um espelho, capaz de refletir a glória de Deus. Na história da Igreja, o religioso, ao se vestir ou paramentar-se, além de fazer uma breve oração, beija a veste, sinal de “revestir-se do Cristo”. O simples tecido não é adorno, mas “complemento da carne humana transfigurada ou em vias de...”. "A transfiguração" Teófano, o grego século 15 |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]