Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
|
Voluntários voltam ao sertão do Piauí Maria Angélica Teixeira
O primeiro passo foi dado em 1999 quando dois professores do Colégio Emilie de Villeneuve, São Paulo, foram enviados ao sertão do Piauí com a missão de conhecer a realidade local de duas das 240 comunidades do semi-árido nordestino. Nos dois anos que se seguiram uma equipe de voluntários se organizou, e em parceria com a Universidade de Santo Amaro (UNISA) articulou uma ação transformadora para aquelas comunidades. Durante dez dias em julho último médicos, dentistas, biomédicos e outros profissionais deram atendimento, orientação, atenção e muito carinho à cerca de 800 pessoas nas comunidades de Canto Fazenda Frade e Tranqueiras situadas no município de Oeiras. Como todas as outras, as duas comunidades-alvo do projeto são extremamente pobres; apesar de ambas já possuírem um poço, a falta de tratamento dessa água, de saneamento básico e de educação colocam o povo à mercê de várias doenças. A falta de alimento é outro fator determinante e que justifica a alta incidência de doenças nutricionais. A maioria das comunidades perdeu praticamente toda sua mirrada safra pela falta de chuvas na região este ano. Todo o milho foi perdido e restam poucas sacas de arroz e feijão, diz o pároco local, Padre João de Deus, que há anos luta pela vida desse povo tão sofrido. Segundo Padre João, não existem mais frentes de trabalho ou qualquer outra forma de remuneração que ofereça condições para subsistência da população. A ajuda do governo federal não chega para todos, mas sim para uma minoria, o que deixa o sertanejo à margem de uma vida digna.
Conhecedor das conseqüências que a seca pode trazer, Padre João de Deus sabe que são múltiplos os fatores que colocam essa gente em situação de extrema miséria e doenças e que o problema da fome no nordeste brasileiro não é só ambiental (falta de chuvas e solo em processo de desertificação) mas também social e político.
Atendimento Em meio ao árido sertão nordestino a equipe montou um hospital improvisado com o objetivo de dar atendimento médico, odontológico e laboratorial imediato às pessoas das comunidades. Segundo o Dr. Luiz Fernando Campoi médico da equipe foram cerca de 120 consultas diárias. Na maioria dos casos as doenças são resultado de uma péssima alimentação, da má qualidade da água utilizada e da falta de orientação; doenças de pele, desnutrição, anemia, verminoses, problemas de visão e hipertensão foram predominantes. Exames laboratoriais como hemograma, urina e protoparasitológico contribuiram para o diagnóstico adequado de cada enfermidade.
Os dentistas da equipe deram atendimento de urgência e na maioria das vezes não se podia fazer mais nada para recuperar dentes inteiramente podres. Segundo Robert Cafasso, dentista voluntário, haviam muitas raízes residuais e dentes totalmente cariados, resultado da falta de cálcio, de orientação e de tratamento adequado. Foram cerca de 500 extrações, centenas de aplicações
de flúor, entre outras intervenções feitas pela equipe.
Orientação O diagnóstico das doenças e tratamento dos enfermos não seria suficiente para provocarmos uma real transformação na qualidade de vida daquelas pessoas. Era necessário falarmos sobre prevenção e para tanto foram realizadas oficinas, de caráter preventivo, nas diversas áreas de saúde e ambiente.
Destaque maior foi dado à prevenção de verminoses, higiene oral e corporal e tratamento da água. A construção de filtros caseiros foi ensinada à população para que pudesse se prevenir das doenças veiculadas à água.
A instrumentalização dos líderes comunitários também foi ação prevista pela equipe. Segundo a prof.ª Graciete Carramate Lopes, bióloga e professora do Colégio Emilie de Villeneuve, esses líderes darão continuidade ao trabalho iniciado e funcionaram como agentes multiplicadores. Manifestações de carinho O contato com os moradores dessas duas comunidades foi intenso, apesar do pouco tempo que lá estivemos. O abandono, a miséria extrema e a desesperança que vimos retratadas nos rostos fizeram muitos de nós chorar. Um choro convulsivo algumas vezes, daqueles que entendem a dor do outro, que partilham dessa dor e que sonham em mudar o mundo. Uma voluntária da equipe dizia: ...está tudo errado, e está mesmo.
A emoção não foi só nossa. Dna. Araci, moradora de Canto Fazenda Frade nos convidou a almoçar e diz: ...para o ano que vem quero fazer mais melhor para que vocês voltem, a gente gosta muito de vocês. Um menino, morador da mesma comunidade mostra também seu afeto ao convidar um dos membros da equipe: ...bora dormir lá em casa hoje.
São manifestações de carinho que certamente ninguém da equipe esquecerá e como diz o próprio Padre João de Deus, ...aprendemos que a vida é para ser usada, aplicada, investida em favor da própria vida e que o grande dom que nos é concedido é o da SOLIDARIEDADE. |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]