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BRASIL: 12/12/2008
Indígenas
Supremo manda tirar arrozeiros de reserva em RR
O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu: a
demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol,
em Roraima, deve ser contínua, os arrozeiros que ocupam a região
terão de deixá-la, mas os índios ou a Fundação
Nacional do Índio (Funai) não podem impedir que a União
entre nas terras para defender as fronteiras ou construir escolas e hospitais.
Apesar da decisão antecipada de 8 dos 11 ministros, um novo pedido
de vista, desta vez do ministro Marco Aurélio Mello, deixa suspensa
a solução do conflito em torno da demarcação,
que já dura 31 anos. Também está pendente a decisão
do tribunal sobre cassar ou não uma liminar que mantém os
arrozeiros na reserva.
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informações
A retomada do julgamento dependerá apenas de Marco
Aurélio e deverá ficar para 2009, pois o Judiciário
entra em recesso na próxima semana. Enquanto o julgamento não
é concluído, os arrozeiros poderão permanecer na
área. A tensão na região, portanto, não deve
se dissipar antes da decisão final do STF. A sessão de ontem
começou com o voto do ministro Carlos Alberto Direito, praticamente
três meses depois de suspenso o julgamento. Em agosto, depois do
voto de Carlos Ayres Britto, relator da ação, favorável
aos índios, Direito pediu vista. Por isso, o governo esperava dele
um voto divergente, contrário à demarcação
contínua. Ocorreu o contrário.
Direito decidiu manter a demarcação contínua
nos moldes definidos pelo governo, mas estabeleceu 18 ressalvas à
atuação dos índios na região. Praticamente
todas foram confirmadas pelos ministros. Entre elas está a afirmação
de que o Exército e a Polícia Federal podem adentrar a região
para defender as fronteiras sem depender da autorização
dos índios ou da Funai. "As tarefas de segurança nacional
não podem ficar a cargo de populações que não
têm capacidade nem equipamentos", afirmou o ministro Cezar
Peluso. O livre ingresso de militares e policiais federais evita a exclusão
da faixa de fronteira da reserva, como defendia o governador de Roraima,
José de Anchieta Júnior.
Também na lista das ressalvas está a restrição
ao uso dos recursos naturais do Parque Nacional do Monte Roraima, que
representa 6,72% da terra indígena. Os ministros propuseram que
os índios só poderão caçar, pescar e extrair
produtos vegetais se tiverem autorização do Instituto Chico
Mendes. "Considerando que o meio ambiente é um bem de todos
os brasileiros e toda a humanidade, a área do parque deve ser administrada
por um órgão do meio ambiente, com a participação
das comunidades indígenas, que poderão circular por ali
livremente", afirmou Direito, autor do voto que recebeu o apoio da
maioria dos integrantes do STF.
Garimpo
Das restrições praticamente acertadas estão
o impedimento de os índios cobrarem pedágio nas estradas
que cortam a reserva, de explorarem recursos hídricos e potenciais
energéticos e de garimparem o subsolo. Para as próximas
demarcações, os ministros fizeram recomendações
para evitar que todo o processo fique nas mãos da Funai. Direito
sugeriu que os laudos de avaliação das áreas sejam
feitos por pelo menos três antropólogos e uma equipe multidisciplinar.
Além disso, autoridades estaduais e municipais deveriam ser previamente
ouvidas sobre a demarcação. Como são apenas sugestões,
a Funai não será obrigada a segui-las. O presidente da Funai,
Márcio Meira, avaliou que o julgamento de ontem foi uma grande
vitória. "O STF sacramentou que a terra contínua é
a forma correta, que não afeta a segurança nacional e o
princípio federativo", disse. Após a entrevista, Meira
foi abordado pelo índio Sílvio da Silva, que fez duras críticas
à atuação da Funai na região.
Ilhas
A decisão do Supremo representou a vitória
da União e uma derrota do governador de Roraima. Nenhum dos oito
ministros cogitou a possibilidade da demarcação em ilhas
e da manutenção dos fazendeiros na região. "A
demarcação por ilhas, realizada em Mato Grosso do Sul, resultou
em grave situação, que ameaça a preservação
dos indígenas", exemplificou Joaquim Barbosa.
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