| PIME-Net
BRASIL: 15/12/2008
Indígenas
“O resultado foi o esperado”, afirma dom Roque Paloschi sobre
o julgamento da demarcação das terras indígenas Raposa
Serra do Sol
“O resultado foi o esperado, porque foi a vontade
do país em dar para seus primeiros filhos algumas perspectivas
de vida e de esperança”, afirmou o bispo de Roraima, dom
Roque Paloschi, que acompanhou em Brasília, junto às lideranças
indígenas, o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da demarcação
da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Com oito votos favoráveis
à demarcação contínua da terra Raposa Serra
do Sol, o julgamento foi suspenso pela segunda vez este ano. A questão
foi colocada em pauta no STF, após quase três meses do primeiro
julgamento, ocorrido em agosto deste ano.
Na ocasião, o ministro Carlos Ayres Brito, relator
do processo, votou pela demarcação contínua da reserva.
Entretanto, um pedido de vista, feito pelo ministro Carlos Alberto Menezes
Direito, suspendeu o julgamento, que foi retomado no dia em que são
comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos
Humanos, 10 de dezembro. Logo após a apresentação
do voto-vista do ministro Menezes Direito, o ministro Marco Aurélio
fez seu pedido de vista. Apesar da solicitação do ministro,
feita no início do julgamento, a sessão prosseguiu no período
da tarde, quando sete dos onzes ministros expressaram seu voto a favor
da demarcação contínua das terras indígenas.
Mas devido ao pedido do ministro Marco Aurélio,
o julgamento foi adiado e só voltará ao Supremo em 2009,
faltando apenas os votos de três ministros:
- Marco Aurélio, Celso de Mello e Gilmar Mendes.
“O Supremo confirmou a Carta Magna do país
e isso para nós é motivo de muita alegria e de esperança,
porque é um país que confirma o respeito à diversidade,
que sabe conviver com os diferentes. É um país que não
quer uniformizar todo mundo, mas que vive o pluralismo e reconhece nos
povos indígenas o grande valor para os brasileiros, no sentido
de sermos capazes de perceber uma riqueza sufocada e escondida”,
acrescentou dom Roque. “Manifesto a gratidão da diocese de
Roraima à CNBB, que sempre teve muita presença e apoio à
causa, à Conferência dos Religiosos do Brasil, de modo particular
ao Conselho Indigenista Missionário, que é uma ponta de
lança na defesa dos direitos dos povos indígenas, e a tantas
pessoas de boa vontade, que souberam acolher este grito de esperança
que brotava das comunidades indígenas Raposa Serra do Sol”,
concluiu o bispo de Roraima.
Apoio
da CNBB
De acordo com o secretário-geral da CNBB, dom
Dimas Lara Barbosa, desde o início do julgamento a Conferência
dos Bispos tem procurado apoiar as iniciativas da diocese de Roraima e
as do Cimi. Dom Dimas lembrou que a Assembléia da CNBB este ano
emitiu duas notas de apoio e solidariedade às comunidades indígenas
da Raposa Serra do Sol. “Depois, enviamos correspondência
aos ministros do STF manifestando nosso apoio e preocupação
diante das investidas que os povos indígenas da região vêm
sofrendo”, recordou o bispo. “O resultado do julgamento, embora
ainda não conclusivo, trouxe alento para aqueles que militam em
defesa dos povos indígenas e para a própria diocese de Roraima
e a CNBB reafirma o apoio e a solidariedade a todos aqueles que na sua
diocese lutam em defesa da vida”, acrescentou.
CNBB
Home-page
© 2008 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |