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REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA:
17/12/2008
Igreja Missionária
“Tenham no coração o bem comum e dêem ao país
a possibilidade de viver”, escrevem três missionários
aos participantes do “Diálogo inclusivo”
“Como missionários estamos empenhados desde
sempre a socorrer as pessoas, vítimas dos rebeldes, dos bandidos
e do exército governamental. Escrevemos um carta aberta aos participantes
deste encontro, para fazer ouvir a voz de quem não tem voz”,
disse à Agência Fides Pe. Aurélio Gazzera, missionário
carmelitano, pároco de Bozoum, na República Centro-Africana,
onde na capital Bangui está em andamento um encontro definido “Diálogo
inclusivo” para buscar resolver a instabilidade crônica que
há anos assola o país. Da reunião, que se finalizará
no dia 20 de dezembro, participam representantes do governo, dos rebeldes
e da sociedade civil. O presidente do Gabão, Omar Bongo, encarregado
da mediação entre as partes centro-africanas, é apoiado
pelo ex-presidente do Burundi, Pierre Buyoya. Pe. Aurélio escreveu
uma carta aberta aos participantes do “diálogo inclusivo”,
junto com Pe. Cipriano Vigo, pároco em Bocaranga e a Pe. Valentino
Vallarino, pároco de Ngaundaye.
Em sua carta, os três missionários
ressaltam que o “país necessita dos esforços de todos:
- governo, rebeldes, oposição, para virar
a página e mudar a situação.
“Tenham no coração o bem comum e
dêem ao país a possibilidade de viver na unidade, na dignidade,
no trabalho. Façam com que estas palavras não permaneçam
como sons sem significado!”. “A população já
sofreu muito, afirmam os três missionários, mortes, violências
sexuais, feridos, casas saqueadas e queimadas, impossibilidade de cultivar
e de vender os próprios produtos. O acesso aos hospitais e aos
ambulatórios é muito difícil. Milhares de estudantes
não podem ir á escola por causa da insegurança. Várias
professoras e professores que possuem o trabalho em Bozoum, Bocaranga,
Koui, Ngaundaye e Ndim não vão trabalhar por causa do medo
de perder a vida e temem pela vida também de seus familiares”.
“Pedimos aos chefes dos partidos, responsáveis
pelo governo e líderes dos movimentos rebeldes, para que aproveitem
a ocasião oferecida ao “diálogo inclusivo” para
ouvir o grito daqueles irmãos e irmãs que lhes pedem:
- basta com a guerra, basta com a violência!”
O ex-presidente do Burundi, Pierre Buyoya, que preside
os trabalhos do “Diálogo inclusivo sobre a paz na África
Central”, afirmou numa coletiva de imprensa que “depois de
um difícil debate se realizaram alguns passos positivos”.
Um dos pontos do debate diz respeito à criação de
um “governo de grande consenso”, presidido pelo Presidente
François Bozizé. Ele perdeu o poder com a força em
2003, para depois ser reeleito em 2005.
Não todos os participantes da conferência
tinham o mesmo objetivo:
- alguns partidos da oposição a gostariam
de transformar numa Assembléia constitucional própria, que
posa impor as demissões do Presidente e a formação
de um governo de transição que prepara as eleições
de 2010.
As posições de partida dos participantes
parecem muito distantes. A situação ao norte do país,
zona mais quente, que parecia relativamente segura até a pouco
tempo, foi perturbada por um grupo de militares em Bidou (600 km ao nordeste
de Bangui) onde 12 pessoas perderam a vida.
Fides
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