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REPÚBLICA DEMOCRÁTICA
DO CONGO: 17/11/2008
Genocídio
“No leste do Congo acontece um genocídio silencioso à
vista de todos” denunciam os Bispos congoleses que lançam
um dramático apelo à comunidade internacional
Os Bispos do Comitê Permanente da Conferência
Episcopal congolesa (CENCO) lançam um “grito de dor e de
protesto”, declarando-se “comovidos e aflitos com a tragédia
humana no leste e no nordeste da República Democrática do
Congo”. Numa mensagem enviada à Agência Fides com o
título “A República Democrática do Congo chora
por seus filhos, está inconsolável”, os membros do
Comitê Permanente da CENCO afirmam que no leste do País acontece
um “genocídio silencioso á vista de todos”.
“Os grandes massacres gratuitos da população,
o extermínio dos jovens, os estupros sistemáticos usados
como arma de guerra:
- uma crueldade de uma violência imensa ocorre
de novo contra as populações que pedem somente para poder
viver de modo digno sobre a própria terra.
Quem tem interesse nesse drama?”.
Os Bispos criticam tanto os Capacetes Azuis ONU (“o
fato mais deplorável é que as violências ocorrem à
vista de pessoas impassíveis, dos que receberam o mandato de manter
a paz e proteger a população civil”) como no governo
central (“os nossos governantes se mostram impotentes diante da
gravidade da situação, dando a impressão de não
estar à altura dos desafios da paz, da defesa da população
e da integridade do território nacional”) e mais uma vez
destacando que “os recursos naturais da RDC alimentam a ganância
de algumas potências. Com efeito, todos os conflitos acontecem nos
espaços econômicos e em torno das jazidas minerais”.
Na mensagem, também reiteram “a existência
de um plano de balcanização, que nós sempre denunciamos,
conduzido através dos intermediários. Temos a impressão
de que existe grande cumplicidade. Pedimos ao povo congolês que
não ceda nunca a qualquer idéia de balcanização
do território nacional. Recomendamos que não aprovem jamais
a discussão sobre as fronteiras internacionais do País,
estabelecidas e reconhecidas pela Conferência de Berlim e pelos
acordos sucessivos”.
A Conferência de Berlim (1884-85) levou à
divisão da África entre as Potências européias,
definindo as fronteiras entre as diversas colônias, cujos traçados
foram reconhecidos como linhas de fronteira intangíveis dos novos
Estados independentes da então Organização para a
Unidade Africana (que depois se tornou a União Africana), em 1963.
Para cessar o conflito, os Bispos fazem apelo à comunidade nacional
e internacional para aumentar a ajuda humanitária às populações
dos campos de desabrigados, convidando a população congolesa
a “um movimento nacional para viver como irmãos e irmãs
na solidariedade e coesão nacional; pedem ao governo congolês
“que exerça as funções do poder para proteger
a população e as fronteiras” e fazem um apelo à
comunidade internacional para que “se empenhe com sinceridade no
respeito ao direito internacional”.
Fides
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