| PIME-Net
SUDÃO: 21/11/2008
Paz
"O acordo de paz para o sul está perdendo impulso": -
alerta dos Bispos sudaneses
“Estamos preocupados pelo fato de que a carta e
o espírito do Acordo Compreensivo de Paz (CPA) esteja perdendo
o impulso tanto entre os principais signatários, quanto entre os
seus apoiadores e amigos que contribuíram para obter este histórico
documento”. Assim, os Bispos do Sudão manifestam a sua preocupação
pela lenta atuação do Acordo de paz (Comprehensive Peace
Agreement), assinado em Nairóbi (Quênia) em janeiro de 2005
entre o governo de Cartum e o Movimento para a Libertação
do Povo Sudanês (Sudan Peoples’ Liberation Movement), que
acabou com a guerra de vinte anos no sul do Sudão.
A posição dos Bispos foi manifestada no
final da sua Assembléia Plenária, realizada de 04 a 15 de
novembro em Yambo (sul do Sudão). No encontro, os Bispos examinaram
as questões que interessam à sociedade em vários
níveis. Entre elas, a família e as conseqüências
da guerra civil. Os Bispos afirmaram que a guerra afetou as relações
sociais das pessoas, contribuindo para a destruição dos
valores da família. Somente por meio da oração e
do fortalecimento da relação com Deus os sudaneses poderão
reconstruir o País e obter uma paz duradoura.
O Acordo de Paz, que deu vida a uma administração
autônoma no sul do Sudão, dominada pelos ex-guerrilheiros
do SPLM, que ocupam também o governo central de Cartum, prevê
a realização de um referendo em 2011:
- as populações sul - sudanesas serão
chamadas a definir se o Sudão meridional (com uma ampla autonomia)
continuará a fazer parte de um Sudão unitário ou
se tornará um Estado independente.
Enquanto isso, deve ser regulada uma série de
questões comuns entre o Estado central e a administração
autônoma provisórias do sul do Sudão, da regulamentação
do tráfego aéreo e fluvial à divisão dos lucros
do petróleo, dos fundos sociais e de pensão à política
do Banco Central sudanês na região. Todos eles, problemas
que, espera-se, sejam resolvidos por causa das divergências entre
os dirigentes nacionais e os do Sudão meridional. Estas dificuldades
repercutem na população da região, criando descontentamento
e tensões. Tanto o governo central, quanto a administração
meridional, além disso, continuam a se armar.
Nos últimos meses, foi desencadeado novamente
o conflito entre o norte e o sul do Sudão pelo controle da região
de Abyei, rica em petróleo; graças a um acordo, a crise,
no momento, foi estancada. As duas administrações afirmam
agora que não há divergências que possam desembocar
numa nova guerra e que a aquisição de armas entra num processo
normal de atualização dos arsenais. O sul do Sudão
sustenta que se arma novamente somente para garantir a segurança
interna, ameaçada pela presença dos rebeldes ugandenses
do Exército de Resistência do Senhor (LRA).
O caso do cargueiro ucraniano “Faina”, desde
o final de setembro nas mãos de piratas somalis, acrescentou, porém,
o temor de que o sul do Sudão muna-se de armas pesadas. O navio
transporta, entre outras coisas, 33 tanques. O Quênia afirma ser
o comprador, mas permanecem fortes suspeitas de que o destino final da
carga seja o sul do Sudão.
Fides
Home-page
© 2008 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |