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VATICANO: 11/11/2008
Diálogo
Em foro Católico-Muçulmano, o Papa alenta liberdade religiosa
e defesa da vida
Ao receber esta manhã no Vaticano aos participantes
do Foro Católico Muçulmano organizado pelo Pontifício
Conselho para o Diálogo Inter-religioso, o Papa Bento XVI alentou
a liberdade religiosa e a defesa da vida, como direitos humanos inerentes
à dignidade de toda pessoa.
O Santo Padre destacou ao iniciar seu discurso
que o tema do Foro "Amor a Deus, amor ao próximo:
- a dignidade da pessoa humana e o respeito mútuo",
sublinha "ainda mais os fundamentos teológicos e espirituais
de um ensino central em nossas respectivas religiões.
Estamos chamados a compartilhar com os outros o amor
que Deus derrama sobre nós sem mérito da nossa parte".
"Agrada-me saber que na reunião se pôde adotar uma postura
comum sobre a necessidade de adorar a Deus e de amar o nosso próximo,
homens e mulheres, de maneira desinteressada, sobre tudo àqueles
em dificuldade. Deus nos chama a ajudar às vítimas da enfermidade,
da fome, da pobreza, a injustiça e a violência".
Seguidamente, o Pontífice expressou que "para
os cristãos, o amor de Deus está ligado de forma inseparável
ao amor a todos os homens e mulheres, sem distinção de raça
ou cultura. A tradição muçulmana é também
muito precisa ao alentar ao compromisso prático em favor dos mais
necessitados". "Por isso, deveríamos cooperar na promoção
do respeito autêntico da dignidade da pessoa humana e de seus direitos
fundamentais, mesmo que nossas visões antropológicas e nossas
teologias o justifiquem de formas diferentes.
Há um setor muito amplo no que podemos
trabalhar juntos:
- a defesa e a promoção dos valores morais
que são parte de nossa herança comum", acrescentou.
"Só se reconhecermos –precisou o Papa–
o papel central da pessoa e a dignidade de cada ser humano, respeitando
e defendendo a vida, que é um dom de Deus, igualmente sagrado para
os cristãos e para os muçulmanos, encontraremos os pontos
em comum para construir um mundo mais fraternal no que as confrontações
e as diferenças se arrumem pacificamente e se neutralize o poder
devastador das ideologias". "Minha esperança é
que a proteção destes direitos fundamentais alcance às
pessoas em todos os lugares. Os líderes políticos e religiosos
têm o dever de garantir o livre exercício destes direitos
respeitando plenamente a liberdade de consciência e de religião
de cada indivíduo.
A discriminação e a violência a que
ainda estão submetidos os fiéis no mundo e as perseguições,
freqüentemente violentas, às que se vêem sujeitos, são
ações inaceitáveis e injustificáveis, e são
mais graves e deploráveis quando se levam a cabo em nome de Deus".
Bento XVI também ressaltou que "o nome de Deus só pode
ser um nome de paz e fraternidade, justiça e amor. Somos desafiados
a demonstrar, com nossas palavras e por cima de tudo com nossas ações,
que a mensagem das nossas religiões é indefectível
mente uma mensagem de harmonia e de entendimento mútuo.
É essencial que o façamos, porque do contrário
debilitaríamos não só a credibilidade e a eficácia
de nosso diálogo, mas também nossas religiões".
Finalmente, o Papa alentou a que "unamos nossos esforços para
superar todos os mal-entendidos e desacordos. Devemos nos decidir a superar
os prejuízos passados e a corrigir a percepção, freqüentemente
distorcida do outro, que podem criar ainda hoje dificuldades em nossas
relações. Trabalhemos juntos para educar a todas as pessoas,
sobre tudo aos jovens, na construção de um futuro comum".
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