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VATICANO: 04/12/2008
Paz
Convenção de Oslo «elimina» bombas de fragmentação
A Santa Sé assinou em Oslo, com outros 88 países,
incluindo Portugal, a Convenção Internacional para a eliminação
de munições de fragmentação, armamento responsável
pela mutilação e morte de dezenas de milhares de pessoas.
A Noruega, que há 18 meses tomou a iniciativa, foi o primeiro país
a assinar, seguida do Laos e do Líbano, dois dos países
mais atingidos pelas consequências da utilização deste
tipo de armamento. O secretário do Vaticano para as Relações
com os Estados, Arcebispo Dominique Mamberti, discursou em representação
da Santa Sé, e recordou que, independentemente do modelo geopolítico
que se defenda, “todos devem estar de acordo sobre a centralidade
da dignidade do homem e sobre o indispensável respeito pelos direitos
e pelos deveres das pessoas”.
"A paz e a segurança podem ser estáveis
e duradouras, mas apenas se baseadas na justiça, na solidariedade
e na fraternidade dentro dos Estados e entre os Estados", disse D.
Mamberti. Neste âmbito, acrescentou o Arcebispo, a Convenção
sobre as bombas de fragmentação “é mais uma
prova da capacidade de elaborar e adoptar instrumentos ambiciosos”.
“Instrumentos que conjuguem o desarmamento e o direito humanitário
de maneira criativa e capaz de propor uma alternativa credível
fundada sobre a centralidade da pessoa humana”, explicou.
O Secretário do Vaticano para as Relações
com os Estados destacou ainda o objetivo principal desta Convenção,
que é o de eliminar os riscos de novas vítimas das bombas
de fragmentação e criar estruturas necessárias para
a reabilitação social e econômica de todos aqueles
que foram vítimas diretas ou indiretas dessas armas. "A assistência
às vítimas é uma questão de dignidade, de
direito, de justiça e de fraternidade. E gostaria de destacar a
importância e a pertinência da definição de
vítima, que inclui a família e a comunidade", acrescentou
o prelado.
D. Mamberti conclui lançando um apelo:
- "Peço a todos os países, em especial
aos produtores, exportadores e utilizadores dessas bombas, que se unam
aos signatários de hoje, para dizer a todas as vítimas e
aos países atingidos por essas armas que a sua mensagem é
ouvida".
Os principais produtores de munições de
fragmentação – Brasil, Estados Unidos da América,
Rússia, China, Israel, Índia e Paquistão –
decidiram não assinar a convenção, que proíbe
o uso, desenvolvimento, fabrico, aquisição e armazenamento
dessas munições. As munições de fragmentação
são incorporadas às centenas em projéteis de artilharia,
minas, bombas e mísseis que, ao explodirem, as espalham por vastas
áreas. Muitas dessas munições não explodem
imediatamente e podem permanecer assim por vários anos até
serem activadas, muitas vezes por crianças atraídas pelas
suas cores brilhantes. "A proibição das munições
de fragmentação levou demasiado tempo.
Demasiadas pessoas perderam os seus braços e as
suas pernas", declarou o primeiro-ministro norueguês, Jens
Stoltenberg, na abertura da conferência. A Noruega lançou
a iniciativa de uma conferência internacional para a eliminação
de munições de fragmentação, em Fevereiro
de 2007, e, em Maio, 107 países deram o acordo à sua total
eliminação no prazo de oito anos. A Santa Sé esteve
presente neste processo desde o seu início, fazendo parte do chamado
“Core Group”, que incluía ainda, para além dos
dois países referidos, Áustria, Irlanda, México e
Peru. Depois desse acordo, países como a Noruega, a França
e a Alemanha iniciaram a destruição das suas reservas deste
tipo de armas.
Apesar de ter sido assinado por 88 países, o texto
ainda só foi ratificado pela Santa Sé, a Noruega, a Islândia
e a Serra Leoa. A Convenção tem de ser ratificada por pelo
menos 30 países para que possa entrar em vigor e a Noruega está
optimista quanto à possibilidade de isso acontecer já em
2009. "Espero que no início do ano que vem", declarou
à imprensa o ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês,
Jonas Gahr Stoere, questionado sobre o assunto. Segundo o jornal do Vaticano,
L’Osservatore Romano, esta Convenção vem “colmatar
uma grave lacuna do direito humanitário e procura dar respostas
forte a um problema que ainda existe no mundo atual”, lembrando
os casos recentes do Líbano e da Geórgia.
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