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VENEZUELA: 22/12/2008
Política
Assembléia dá 1.º aval à emenda que permite
reeleição de Chávez
Depois de quase 12 horas de debate, a maioria do Parlamento,
integrado quase totalmente por seguidores do presidente Hugo Chávez,
concordou em modificar o artigo n.º 230 da Constituição
para permitir a reeleição indefinida do presidente da República.
Só o partido Podemos, ex-aliado do governo, votou contra a proposta,
e três deputados "dissidentes" do chavismo se abstiveram.
No final da sessão, a presidente da Assembléia, Cilia Flores,
determinou que o projeto foi aprovado por "maioria evidente".
"O presidente Chávez é o líder que deve se manter
ao timão para garantir a paz, o futuro e a refundação
da Pátria (...) isso só será garantido pelo presidente
Chávez, e por isto dizemos 'Uh ah, a emenda vai para a frente'",
concluiu ela usando o principal slogan da campanha a favor da emenda.
Mas para o deputado Ismael García, líder da bancada de Podemos,
"o povo já julgou esta matéria". "A base
da matéria é que esta Assembléia Nacional, de maneira
ilegítima, está apresentando à sociedade uma proposta
que já foi rejeitada pelo país e que (...) vem do Executivo",
disse García, lembrando-se de que a idéia foi apresentada
originalmente pelo presidente Chávez.
Assinaturas
Durante a sessão parlamentar foram trazidas caixas
que, segundo o Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV, continham
4.760.845 assinaturas de cidadãos que apóiam a iniciativa
da emenda. Durante a última semana, o PSUV instalou pontos de coleta
de assinaturas em todas as cidades venezuelanas, particularmente em escritórios
e dependências públicas. Alguns porta-vozes da oposição
questionaram o procedimento da coleta de assinaturas, afirmando que supostamente
houve pressão sobre funcionários públicos para que
participassem da iniciativa. Os oposicionistas sugeriram ainda que as
caixas com as assinaturas sejam examinadas pelo Conselho Nacional Eleitoral,
mesmo que sejam simplesmente um "apoio simbólico" e não
sejam necessárias para provocar um pedido de referendo.
Idéia presidencial
Na verdade, a Assembléia Nacional debateu o que
foi apresentado pelo presidente Hugo Chávez depois das eleições
regionais de novembro, que resgatou uma idéia rejeitada em um referendo
dentro do pacote de reformas constitucionais em dezembro de 2007. Dias
depois de haver assegurado à imprensa estrangeira que o tema da
reeleição não era a sua prioridade e que não
a promoveria, Chávez mudou de opinião e "autorizou"
"as ações na Assembléia Nacional e nas ruas
para consegui-la". "Eu, se Deus quiser e me der vida e saúde,
estou disposto a ficar com vocês até 2019, até 2021
e o que Deus e o povo mandarem. Estou disposto", disse Chávez
no dia 30 de novembro durante a posse de um governador de seu Partido
Socialista Unido.
O líder venezuelano disse na ocasião que
sua permanência no poder era necessária para garantir o avanço
da chamada "revolução bolivariana", destacou a
derrota de vários dos principais dirigentes do PSUV nas eleições
regionais e assegurou que "não há chavismo sem Chávez".
A Constituição venezuelana, aprovada em 1999 por iniciativa
do então recém-empossado presidente Chávez, estabelece
que toda a modificação do texto deve ser submetida a um
referendo popular. Por isto, uma vez sancionada a emenda - o que provavelmente
deve ocorrer no segundo debate em janeiro -, a Assembléia entregará
ao Conselho Nacional Eleitoral o pedido para que a analise e convoque
o referendo. Chávez disse que gostaria que o referendo se realizasse
em fevereiro de 2009.
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