P.I.M.E. - Missio
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O CAMINHO HISTÓRICO DA MISSÃO E A ESPIRITUALIDADE 1.º A época do século XVI até o Vaticano II (1962-1965) Nesta época o projeto missiológico se fundamentava neste esquema:
Expande-se quantitativamente, mas não qualitativamente. Tudo está completamente estabelecido.
Todos têm que ser trazidos para dentro da Igreja para se salvarem. A Igreja era o centro de tudo e nela havia a totalidade da salvação (Fora da Igreja não há salvação). Expandia-se quantitativamente, mas não qualitativamente, porque os bens da salvação já eram dados uma vez por todas. O projeto missionário visava levar a salvação que se realizava através da conversão das pessoas. Era necessário trazer para dentro da Igreja. Tratava-se de um projeto eclesiocêntrico e exclusivista. Mesmo se situando neste esquema básico, na primeira metade de 1900 mudou a finalidade da missão. Não mais simplesmente converter as pessoas, mas implantar a igreja e as comunidades cristãs (plantatio Ecclesiae). No fundo, porém, o objetivo está no interior da Igreja e em sua expansão. A fonte e o fim da missão eram situados na e a partir da Igreja. Pode-se visualizar todo este caminho a partir de alguns termos-chave
que sintetizam toda esta teologia da missão.
O processo de conversão indica uma mudança radical da própria
visão de mundo, dos horizontes de sentido, e das formas de comportamento.
Era necessário "deixar para trás" as próprias
crenças e a maneira de viver para aceitar o modelo missionário
dentro dos moldes ocidentais.
O modelo teológico colocava a Igreja como "centro".
O axioma do Concílio de Florença de 1442 elevou a dogma
o "Fora da Igreja não há salvação".
Mesmo que este dogma surgiu em época específica e num contexto
determinado, orientou, depois, todo o caminho da missão em sentido
restritivo.
A terminologia já indica que deve haver uma separação
profunda entre a alma e o corpo. A herança de uma filosofia platônica,
assimilada por Sant'Agostinho, reduziu a corporeidade e a materialidade
da vida a um nada diante da consistência da alma.
O sentido da expansão incluía alguns elementos: antes de
tudo um crescimento quantitativo e não tanto qualitativo.
Tudo era perfeito e estabelecido. Quem estava fora não devia acrescentar
nada e não acrescentava coisa nenhuma. O outro era "tabula
rasa" a ser preenchido. "Catequizava-se" no sentido de
preencher um vazio que existia.
Já foi afirmado que o processo pelo qual se alcançava a
salvação era o batismo, que era como a porta de entrada.
Batizava-se todo mundo sem nenhuma preocupação na evangelização.
E todos, obrigatoriamente, aceitavam o batismo, mesmo não tendo
suficientemente consciência do que estava acontecendo. Verificou-se
uma camada superficial de informações cristãs sem
atingir os núcleos mais profundos.
A expressão "implantar a Igreja" adquiriu sua força
na primeira metade do século XX, quando o empreendimento missionário
teve um novo redirecionamento. Não se tratava mais de "converter",
mas de "fazer surgir as comunidades cristãs" no mundo
conhecido. Qual era a finalidade da missão: "Plantatio Ecclesiae",
si dizia. 2.º Novos horizontes da missão No momento atual a reflexão e o projeto missiológico está caminhando para outras perspectivas e não está mais diretamente ligado a uma perspectiva eclesiocêntrica. O Concílio Vaticano II assumiu o Mistério trinitário como fonte e fim da missão. Isto traz um outro objetivo da missão. O esquema poderia ser:
O Concílio Vaticano II, com os seus variados documentos, especialmente o Ad Gentes e a Gaudium et Spes, e mais tarde com a Evangelii Nuntiandi, a Redemptoris Missio e os vários sínodos continentais, desencadeou um novo processo da missão, às vezes no sentido de continuidade e, outras vezes, de reformulações. 2.1- O mistério trinitário Com a inserção da missão no Mistério Trinitário, não somente em sua origem, mas também em sua fundamentação, em sua motivação, em seu dinamismo, em sua metodologia e em sua sustentação, novas perspectivas se abrem. "A Igreja peregrina é por sua natureza missionária. Pois ela se origina da mssão do Filho e da missão do Espírito santo, segundo o desígnio de Deus Pai" (AG 2). Nos n. 2, 3 e 4 do Ad Gentes, são explicados os termos das fundamentações trinitárias: desígnio do Pai, a missão do Filho e a missão do Espírito Santo). Algumas conseqüências:
"O conceito de "missio Dei" foi mutuado da escolástica por Karl Barth em 1932. De lá pra cá, o conceito assumiu um leque bastante amplo de significados, às vezes contrários aos intentos de Barth. Em todo caso a idéia ajudou a expressar a convicção que a Igreja não é autora e a detentora da missão. Esta última é, antes de mais nada e fundamentalmente, obra de Deus uno e trino." Cf. BOSCH, D. La trasformazione della missione, p.538-543). É ele o protagonista da missão. Esta missão se revela
como o plano de Deus na história humana e leva a termo o projeto
do Reino.A Igreja continua o caminho missionário, mas não
se substitui a Deus. Somente Ele é a fonte, o método e o
fim da missão.
Desde a criação do mundo, o Espírito de Deus é
atuante. Ajudou na criação e mantém a vida viva.
Desde o começo, o Espírito age na história e nas
culturas. Daí surge a atitude de escuta, respeito e silêncio,
para não abafar a ação do Espírito.
Na perspectiva do mistério trinitário, aos missionários
cabe assumir a visão que o mesmo Deus tem com relação
à realidade e à história. Não se trata de
impor um próprio modelo e as próprias convicções.
"Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que percorreis
o mar e a terra para fazer um prosélito, e quando o conseguis,
fazeis dele um filho da Geena, duas vezes pior que vós mesmos"
(Mt 23,15).
O dinamismo da missão assume como método o caminho trinitário. A união, a inter-comunicação, o diálogo, a escuta e a complementaridade são assumidos como métodos no fazer a missão. O outro, em sua diferença, é assumido no diálogo e na complementaridade. Ameaça e atração constituem-se em polaridades no processo da inter-relação. 2.1 - A centralidade do Reino O Reino é a ótica e o caminho para o qual se movimenta
o caminho da missão. 2.2 - A Igreja servidora da Missão "Se a missão é fundamentalmente de Deus, e não
propriamente da Igreja, esta é vista como instrumental pra tal
missão. Existe a Igreja porque existe missão por parte de
Deus e não vice-versa. Ela é chamada a participar do movimento
do amor de Deus para com a humanidade, pois Deus é a fonte de amor
que envia e se auto-envia" (RASCHIETTI, S., Portanto " a atividade missionária não é outra coisa, nem mais nem menos, que a manifestação ou epifania dos desígnios de Deus e a sua realização no mundo e na história" (AG 2). Por ser missionária por sua natureza, a Igreja não envia, mas é enviada. Não representa a finalidade última, mas o instrumento para o "advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo gênero humano" (GS 45). A Igreja não mais é apresentada, no Concílio, como sociedade perfeita, mas como mistério da presença de Deus no mundo, como "sacramento, isto é sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo gênero humano. As metáforas da Igreja são: sal da terra e luz do mundo (Inter Mirifica 24, LG 9, AG 36. Somente "luz do mundo" SC 9), sinal de fraternidade levantado entre as nações (SC 2/2, AG 36, GS 92), fermento da sociedade (GS 40; 44), germe do reino (LG 5; LG 9), instrumento da redenção universal (LG 1; LG 9; GS 42). Com certeza, o sentido mais pleno e histórico da Igreja é concentrado na categoria do "povo de Deus". |
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